Plano 'OneVision' da ATP Agrada, mas Ignora Reclamação dos Tenistas

Plano 'OneVision' da ATP Agrada, mas Ignora Reclamação dos Tenistas

A ATP apresentou o "OneVision", um pacote de reformas que injeta 350 milhões de dólares no circuito masculino e promete mudar a estrutura financeira e competitiva do tênis a partir de 2028. O chairman Andrea Gaudenzi detalhou a proposta em uma entrevista aberta, destacando o aumento expressivo da premiação para os 30 primeiros do ranking e o reforço no peso dos Masters 1000. Mas, em meio a tantos anúncios, ficou de fora justamente o tema que mais incomoda os principais nomes do circuito: a duração das chamadas Masters de duas semanas.

O que muda com o 'OneVision'

Segundo Gaudenzi, o chamado Bonus Pool destinado aos trinta tenistas mais bem colocados do ranking mais que dobrará de valor, parte de um esforço para tornar a carreira no circuito mais sustentável financeiramente, especialmente para quem está fora do top 10. O plano também prevê maior importância dos Masters 1000 na contagem de pontos, reforçando a hierarquia do calendário, além de uma revisão na remuneração central dos jogadores a partir de 2028. Questões como reforma de calendário, incentivos de participação e o futuro incerto das duplas também entraram na pauta, com discussões sobre uma possível redução pela metade das chavas e corte na fatia de premiação destinada a essa modalidade, hoje em 20%, para algo próximo de 10%.

O silêncio sobre os Masters de duas semanas

O que não apareceu na fala de Gaudenzi foi qualquer sinalização sobre o formato estendido dos Masters 1000, hoje conduzidos por boa parte do calendário em moldes de torneio de Grand Slam, com até duas semanas de duração. Carlos Alcaraz foi direto ao criticar esse modelo no início deste mês, afirmando que o calendário "está indo na direção errada" e que os jogadores estão sendo "empurrados" a disputar partidas demais. O espanhol relacionou o desgaste físico excessivo às lesões recentes no circuito, citando o período de recuperação de Jannik Sinner como exemplo da pressão enfrentada pelos atletas.

Não é a primeira vez que Alcaraz levanta o assunto. No Barcelona Open de 2025, ele já havia defendido que os Masters de uma semana são "melhores para o tênis", contestando a tese de que os torneios mais longos oferecem mais descanso aos jogadores. Novak Djokovic também se posicionou antes do US Open de 2025, dizendo não gostar mais do formato de duas semanas e descrevendo o calendário atual como equivalente a "12 Grand Slams informais" por temporada, dada a duração somada dos Masters aos quatro majors tradicionais.

Reações divididas, mas convergentes

Enquanto Jannik Sinner afirmou no ano passado preferir os torneios de uma semana, citando Monte Carlo como modelo que funciona bem em sete dias, Alexander Zverev foi o mais contundente. O alemão disse não conhecer nenhum colega que defenda publicamente o formato estendido e questionou se o próprio público aprova a mudança, lembrando que os torcedores reclamam da espera de dias entre as partidas de seus jogadores favoritos.

Apesar do descontentamento generalizado, uma eventual volta ao formato de uma semana esbarra em um obstáculo financeiro: torneios mais curtos tendem a gerar menos receita, o que poderia reduzir a premiação distribuída aos próprios jogadores. Esse argumento, até o momento, não foi explorado abertamente pelos críticos do modelo atual. Com as duplas já mobilizadas contra os cortes propostos em suas chaves e premiação, o "OneVision" chega bem recebido em linhas gerais, mas está longe de resolver todas as tensões que atravessam o circuito.