Adriana Araújo cobra coerência de Flávio Bolsonaro sobre fake news

A jornalista Adriana Araújo, âncora do Entre Nós, da BandNews FM, e do Jornal da Band, criticou nesta semana a reação do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) depois que uma notícia falsa viralizou nas redes sociais afirmando que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. Para a apresentadora, o incômodo público demonstrado pelo candidato contrasta com o silêncio que ele manteve diante de outras desinformações espalhadas por aliados políticos no passado.

Em sua análise, Adriana recuperou um episódio de 2020, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai de Flávio, chegou a associar, sem respaldo científico, a vacinação contra a Covid-19 a uma suposta maior propensão de contrair AIDS, além de insistir na eficácia da cloroquina contra o vírus - ambas informações desmentidas por autoridades sanitárias e pela comunidade científica. Segundo a âncora, Flávio não se posicionou contrariamente a essas falas na época, o que evidencia, na sua leitura, um padrão seletivo de indignação diante de fake news. jogo burning hot

Um critério, duas reações

Para Adriana Araújo, o combate à desinformação só tem credibilidade quando aplicado de forma consistente, independentemente de quem seja o alvo ou o autor da notícia falsa. "Uma hipocrisia. Santa paciência a gente precisa ter para enfrentar tudo isso", lamentou a jornalista, ao comentar o que considera uma postura de "vítima" adotada por Flávio Bolsonaro diante da fake news envolvendo a padroeira do Brasil - enquanto, segundo ela, o mesmo rigor não foi cobrado publicamente em relação a desinformações anteriores ligadas ao campo político ao qual pertence.

O debate sobre fake news na política brasileira

O episódio reacende uma discussão recorrente no jornalismo brasileiro: a de que o combate à desinformação tende a ser instrumentalizado conforme o lado político afetado. Comentaristas e veículos de imprensa têm reforçado que a cobrança por responsabilidade no trato da verdade precisa ser simétrica, sob pena de esvaziar o próprio sentido do combate às fake news como ferramenta de defesa da informação de qualidade, especialmente em período de disputa eleitoral, quando a circulação de conteúdos falsos tende a se intensificar nas redes sociais.