O Boca Juniors chega ao Rio de Janeiro para o jogo de volta da semifinal da Copa Sul-Americana, nesta terça-feira, às 21h30, carregando o peso de seis títulos da Libertadores e um prestígio que atravessa fronteiras. Mas o histórico do clube argentino dentro do Maracanã conta uma história bem diferente da sua grandeza continental: o estádio carioca tem sido, ao longo de décadas, um território hostil para os "xeneizes".
Um retrospecto adverso em jogos oficiais
Em 13 partidas disputadas no Maracanã, somando amistosos e competições oficiais, o Boca Juniors amarga números modestos. Em cinco jogos oficiais realizados no estádio, a equipe argentina venceu apenas uma vez - justamente na fase de grupos da Copa Mercosul de 1998, quando bateu o Flamengo por 2 a 0, gols de Rey e Matellán. Fora essa exceção, o retrospecto é de derrotas: para o Santos na final da Libertadores de 1963, para o Flamengo nas quartas de 1991, e duas vezes para o Fluminense, em 2008 e na histórica final de 2023.
Fluminense, o algoz recorrente
Nenhum rival brasileiro pesou tanto na trajetória do Boca no Maracanã quanto o Fluminense. Em 2008, pela semifinal da Libertadores, o Tricolor buscou uma virada memorável depois de sofrer o gol de Palermo, vencendo por 3 a 1 com tentos de Washington, Ibarra (contra) e Dodô. Mas foi em 4 de novembro de 2023 que o clube carioca infligiu a dor mais profunda aos argentinos: na final única da Libertadores, com o Maracanã dividido entre torcidas, o Fluminense버speu a decisão na prorrogação. Cano abriu o placar, Advíncula empatou ainda no tempo normal, e John Kennedy decidiu o título inédito do time brasileiro, expulso logo depois do gol em uma tarde que entrou para a história do clube.
Dos amistosos dos anos 1950 a Zico e Maradona
O retrospecto negativo do Boca no Maracanã não é recente. Já em 1951, em amistoso contra o Vasco, o time argentino sofreu sua derrota mais elástica no estádio: 3 a 0, com dois gols de Ipojucan e um de Friaça. A crônica da época, publicada em "O Globo", atribuiu o resultado ao cansaço de uma equipe que teria se rendido aos prazeres do Rio de Janeiro antes da partida. Décadas depois, em 1981, outro capítulo marcante: o "desafio da camisa 10", amistoso de despedida de Paulo César Carpegiani, colocou frente a frente Zico e Diego Maradona. O camisa 10 rubro-negro não deu chances ao argentino e decidiu o confronto com dois gols, vitória do Flamengo por 2 a 0.
O que está em jogo nesta terça-feira
Esse histórico não garante nada ao Vasco na busca por uma vaga na final da Copa Sul-Americana, mas reforça o simbolismo do duelo. O Maracanã já foi arena de decisões continentais e amistosos de gala envolvendo o Boca Juniors, quase sempre com resultado desfavorável ao gigante argentino. Para o torcedor vascaíno, o retrospecto é motivo de otimismo; para o Boca, um lembrete de que a grandiosidade construída pelo mundo afora precisa, mais uma vez, ser reafirmada dentro de um estádio que historicamente não lhe fez concessões.