BK' celebra dez anos de carreira com show marcado no Maracanã

BK' celebra dez anos de carreira com show marcado no Maracanã

O rapper carioca BK' leva ao Maracanã, no dia 16 de janeiro, a celebração dos dez anos de "Castelos & Ruínas", álbum que lançou em 2016 e que mudou o rumo de sua carreira. Antes disso, a turnê passa por Salvador, Belo Horizonte, Porto Alegre e Curitiba, consolidando um movimento que já havia enchido o Allianz Parque, em São Paulo, com mais de 50 mil pessoas e participações de nomes como Marcelo D2, Djonga e L7nnon.

De Jacarepaguá aos grandes estádios

Abebe Bikila Costa Santos, os 37 anos, cresceu em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, batizado pela mãe com o nome do etíope que entrou para a história do atletismo ao vencer duas maratonas olímpicas seguidas. Hoje, BK' tenta repetir em palcos o feito de superação do próprio nome: levar o rap brasileiro a espaços que o gênero nunca havia ocupado no país. Antes da turnê atual, o artista já havia enchido a Praça da Apoteose por conta própria, em duas ocasiões - no encerramento da turnê do álbum "Icarus", em 2024, e no festival Gigantes, organizado por ele mesmo para lançar "Diamantes, lágrimas e rostos para esquecer".

A pressão da casa e a resposta do público carioca

Realizado em parceria com a produtora 30e, o show no Maracanã chega um dia depois de System of a Down e Faith No More se apresentarem no mesmo estádio, pela mesma produtora - coincidência que BK' trata com bom humor, lamentando apenas não poder assistir ao show da banda americana. Segundo o rapper, a venda de ingressos para a data carioca já superou a de São Paulo, o que alimenta a expectativa em torno do espetáculo. "A gente foi se preparando para fazer esses grandes espetáculos, em grandes palcos, para saber lidar com uma multidão", afirma, reconhecendo que a experiência acumulada na Apoteose e no Allianz Parque foi decisiva para encarar o desafio do Maracanã com mais segurança do que nervosismo.

A trajetória de "Castelos & Ruínas" e a memória da mãe

Lançado em 2016, "Castelos & Ruínas" nasceu como uma mixtape solo depois que BK' deixou o grupo Nectar Gang. O disco, que ele descreve como uma busca por sentido e propósito mais do que por riqueza material, ganhou força após uma audição na galeria Homegrown, na Tijuca, e consolidou sua identidade fora do coletivo. Dez anos depois, o artista dedica a celebração à memória da mãe, Ana Cristina Gomes, educadora e uma das fundadoras do Movimento de Mulheres Negras do Rio de Janeiro, falecida em agosto do ano passado. Para BK', o reconhecimento conquistado nesta década de carreira é também uma forma de honrar a criação que recebeu.

Próximos passos e o futuro do rap nacional

Encerrado o ciclo de "Castelos & Ruínas" - que ainda terá um álbum de remixes com participações internacionais, incluindo o saxofonista Kamasi Washington -, BK' projeta uma reinvenção sonora sem abandonar sua identidade, mantendo o foco no mercado brasileiro. O artista também comenta o momento do rap nacional, destacando o crescimento do interesse das gravadoras e a ascensão de artistas mulheres no gênero. Para ele, o maior desafio do movimento é ampliar não apenas o alcance musical, mas a difusão da cultura hip-hop como um todo, para que o público absorva também a história e os valores por trás do estilo.